terça-feira, 19 de julho de 2011

O ralo das estradas raladas

“O Brasil, até 2002, tinha perdido completamente a cultura do investimento em infraestrutura. (…) Enfim, o Brasil vinha num processo em que, não só não investia, como não fazia projeto e não fazia planejamento também. (…) Veja você que houve um esforço enorme do Brasil voltar a investir.”
(Presidente Dilma Rousseff, então candidata do PT, no programa Roda Viva, outubro/2010)

Bastaram seis meses de governo para que as bravatas da candidata Rousseff, sempre responsabilizando os “governos anteriores” pelas deficiências do país, fossem desmascaradas. A “supertudo” da gestão do ex é agora atropelada pelos fatos.

Retrato da inoperância gerencial do PT, o Ministério dos Transportes, pasta que recebe o maior aporte de recursos do PAC, deixou de usar cerca de R$ 47,8 bilhões desde 2002. O valor equivale a quase cinco vezes o estimado para resolver os problemas dos aeroportos brasileiros e a cerca de 75% dos recursos necessários para recuperar as rodovias esburacadas.

Na combinação descontrole-incompetência, o descaso com o dinheiro público vem à tona. O ministério, que tem gerado manchetes dignas de páginas policiais, deixou de investir 44% do valor previsto nestes oito anos e meio de governo petista. A exceção, evidentemente, foi em 2010, ano em que o ex não poupou nem esforços nem recursos públicos para eleger sua sucessora, e o PT jogou R$ 13,7 bilhões em obras que ficavam bonitas na propaganda da tevê.

Mesmo assim, o governo do PT investiu mal. De acordo com o próprio Dnit, do 1,5 milhão de quilômetros de estradas brasileiras, apenas 13% são pavimentados. Os outros 87%, quase 1,3 milhão de quilômetros, não têm qualquer tipo de pavimentação.

O desperdício, que se delineia como marca do PT, vem de longe. Recuando para 2006, ano de eleição e o último do primeiro mandato de Lula, o TCU denuncia: R$ 500 milhões aplicados em uma operação tapa-buraco foram ladeira abaixo. Os 27 mil quilômetros de rodovias que teriam sido recuperados pelo ex já estavam novamente esburacados meses depois.

A conta desse descuido? Cálculos do Banco Mundial estimam que a má conservação das estradas pavimentadas gere, todos os anos, prejuízos de R$ 5 bilhões para a economia brasileira.
Mas como com o PT o que está ruim pode ficar pior… Em 2010, sob a direção de Paulo Passos, reconduzido agora ao cargo por Rousseff, o Ministério dos Transportes autorizou aditivos de R$ 787 milhões nas obras do Dnit, 154% a mais que o ex-ministro Alfredo Nascimento, que caiu no rastro das denúncias de corrupção.

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