“É importante lembrar que o ministro dos Transportes [Paulo Sérgio Passos] do ano passado é o companheiro que assumiu agora e também em março de 2004.”
(Ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, contestando a herança maldita legada ao país
com as irregularidades na pasta, em São Paulo, 16/07/2011.)
A gritaria do ex é abafada pelos fatos. O Ministério dos Transportes já é emblema da herança nada honorável deixada pela gestão de Lula. De criador a criatura, de esposo para esposa, de irmão para irmão, de padrinho para afilhado, os escândalos na pasta dão ingredientes para testamento pra lá de conturbado.
Além dos casos de corrupção e superfaturamento que derrubaram a cúpula da pasta, inclusive o ex-ministro Alfredo Nascimento, mas ainda não Luiz Antônio Pagot, de férias para fugir da exoneração, novos escândalos surgem todos os dias.
O substituto-interino de Pagot na diretoria-geral do Dnit, José Henrique Sadok de Sá, não se sustentou duas semanas. Foi afastado depois de o jornal O Estado de S.Paulo denunciar que a mulher dele é dona de uma construtora que assinou, com o Dnit, evidentemente, contratos que somam pelo menos R$ 18 milhões para obras em Roraima.
No Mato Grosso, a empreiteira do irmão de Nilton de Brito, superintendente do Dnit no Mato Grosso apadrinhado por Pagot, fechou contratos de R$ 26 milhões para obras em estradas federais que cortam o território mato-grossense.
Um terceiro caso envolve padrinho, afilhado e cônjuges e mais de R$ 30 milhões. A Tech Mix Serviços apresentou documento, com indício de fraude para firmar contrato de R$ 18,9 milhões com o Dnit. Os papéis que atestaram a capacidade da empresa foram assinados por José Osmar Monte Rocha, assessor para assuntos administrativos do Ministério dos Transportes, apadrinhado do deputado Valdemar Costa Neto, presidente de honra do PR. Já Alcione Cunha, mulher do dono da Tech Mix, Luiz Carlos Rodrigues da Cunha, é dona da Alvorada Comercial e Serviços, que fechou um negócio emergencial, sem licitação, de mais de R$ 13 milhões com a Valec, estatal que cuida das ferrovias. Há fortes suspeitas que as duas sejam apenas empresas de fachadas.
Transformar a coisa pública em negócios com laços de família, não é novidade para os petistas. Vale lembrar que Erenice Guerra, braço-direito e substituta de Rousseff na Casa Civil, caiu porque a pasta favoreceu negócios do marido e do filho dela com órgãos federais. E é assim que o PT do ex, do Mensalão, e de tantos outros escândalos, consegue superar o aparelhamento da máquina pública, transformando o Planalto num grande e rentável negócio familiar. Completamente irregular.





